segunda-feira, 18 de abril de 2016

Idealizar relações e como isso nos ferra (muito)

 A gente aprende desde cedo a idealizar relações. Idealizar como seria perfeito se tal coisa acontecesse quando você se apaixonasse. Como você gostaria que Fulano corresse atrás de você na rua depois de uma briga e falasse "Desculpa. Te amo.". Ou como seria incrível se você arrumasse alguém que combinasse com você em tudo. Nas opiniões. Nos posicionamentos. Nos ideais. Nos desejos e sonhos. Na vida.
 Aí você se apaixona. E se fode. Porque a vida não é um filme romântico ou um Tumblr onde tudo é lindo, fofo, perfeito e tem a dose certa de amor e putaria.
 Pessoas tem sentimentos. E pessoas não correspondem às nossas expectativas. Mas, a não ser que ela tenha criado essas expectativas em você (e eu vou falar disso depois, porque né, claro que já passei por isso), a culpa não é dela. Porque foi você quem idealizou que ela seria assim e assado em determinadas situações.
 E não, as pessoas não costumam terminar uma briga feia, tensa se beijando. Porque as pessoas se magoam. As pessoas ficam decepcionadas. Porque quando a gente tá brigando com alguém que a gente ama tudo que nós queremos é esfregar a cara da pessoa no asfalto até ela concordar com o que a gente diz e pedir desculpa. É xingar a pessoa e toda a geração anterior e futura dela de nomes que seriam pesados até pro Mano Brown. A gente quer virar as costas e nunca mais ter que olhar pra fuça daquele ser humano que você cometeu a burrada de amar.
 Na hora da raiva a gente pensa cada coisa né? A gente tira coragem de onde não tem. Mas uma hora isso acaba. E quando a raiva passa, fica a chateação. A dor. A decepção. Além de por tudo que foi discutido, por saber que a pessoa não correspondeu às suas expectativas.
 E pode não parecer, mas isso acaba com relações. Isso desgasta. Isso corrói.
 E quando você vê, já não sente tudo aquilo que sentia antes em estar naquela relação.
 A gente sofre, a gente cai, a gente se machuca, a gente morre por uma noite.
 E a gente sara.

 Desde que saí da bolha e comecei a questionar tudo ao meu redor (machismo, preconceito, privilégios, etc), eu venho, de certa forma, me conformando que talvez eu não encontre alguém pra compartilhar a vida inteira. Eu enxergo que talvez eu não encontre alguém que me faça pensar "Olha, esse vale a pena o esforço. O sofrimento. A dor de cabeça.".
 Porque relacionamentos são isso. Esforço. Sofrimento. Dor de cabeça.
 Tem quem diga que o amor supera tudo, mas não, não supera. Eu já disse antes, e digo de novo: Amor não enche barriga.
 Para uma relação dar certo precisa-se de muito mais que o amor. Amar é essencial, mas não é tudo.
 E por pensar que o amor resolve tudo que tem tanta mulher em relacionamento abusivo. Que tem tanta mulher apanhando, sendo humilhada, sofrendo e pensando "Vai ficar tudo bem. Nosso amor vai fazer ele melhorar.".

 Não. Não vai.

 E você vai conseguir sobreviver ao término. Eu tô aqui, e eu não vou deixar você cair. Meus ouvidos, meu coração, meu email, minha vida estão abertos à te ouvir e te ajudar. (meu email: nana.ferrari@hotmail.com. Eu tô falando sério)

 Eu tô tão tranquila sozinha que eu me apaixonei recentemente e já sabia que não seria correspondido e fiquei ok com isso.
 Eu queria que fosse correspondido? Queria.
 Eu queria que pessoa X me mandasse textão no meio da madrugada falando "Eu não queria assumir mas eu gosto de você. Por que a gente não vai levando e vê onde dá?"? Queria.
 Eu sabia que isso não ia acontecer? Sabia.
 Eu fiquei triste por saber que não ia acontecer? Não.
 Por que? Porque eu tô aprendendo a não idealizar.

 Não pensem que eu sou uma pessoa amargurada que virou um coração de gelo da vida. Quem me conhece um pouco mais de perto sabe que eu sou a maior manteiga derretida do mundo e que com dois dias de conversa já tô imaginando meus filhos e os gatos com a pessoa.
 Mas isso é um lado do meu cérebro que idealiza. E cada dia ele fica menor. Ele dá lugar pra uma coisa chamada "Realidade".
 Minha vida não é um filme. Nem um dos livros que eu amo ler. Nem os contos que eu amo escrever, onde tudo conspira e dá certo. Então vou levando a vida assim, aceitando que não tem problema algum viver sozinha e que talvez seja melhor assim, mas também se deixando aberta à quem sabe novas coisas.

 Quando desejam pra mim um amor novo eu falo "Não preciso, obrigada.". As pessoas costumam ficar perplexas com isso. Costumam me achar louca por não querer alguém do meu lado.
 E veja bem, não é que eu não quero. É que eu não preciso.
 Sinto falta às vezes? Claro que sinto!!! Mas aí eu lembro que um relacionamento é muito mais que cafuné de madrugada, carinho e fotos sorrindo.
 E não pense que eu sou sozinha não!!! Eu tenho uma família incrível, uma mãe que vale muito mais que qualquer relacionamento da vida, amigos que estão comigo sempre ouvindo minhas lamúrias, uma gata que me arranha no meio da noite e depois deita no meio das minhas pernas e dorme comigo.
 Eu estou em paz.
 Sou completa assim.
 Eu amo a pessoa que me tornei.
 Eu só idealizo o que quero pra minha vida agora. Só idealizo meus objetivos. E da parte amorosa eu prefiro não idealizar nada, pra me surpreender quando (e se) acontecer.

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