segunda-feira, 15 de junho de 2015

Não que vocês se importem

 Não que vocês se importem, mas eu morri de saudades esse tempo todo. Mas aí fica meio "se sentiu saudades por que não escreveu antes?" né non? Essa é fácil, eu respondo:

 Eu tô vivendo um inferno astral.

 Assim, sem rodeios. Cru. Nu.

 Eu tô numa montanha russa: ando devagar, calma e serena, de repente, quando tô me acostumando com essa calmaria toda, eu despenco em uma velocidade de 110km/h, faço uma curva sinuosa ali na frente, fecho um olho com força e deixo o outro meio aberto, porque eu sou curiosa demais pra não conseguir ver se vai dar merda ou não. Daí depois tem aquela subida horrivel e devagar, aquela coisa que você pensa "isso tá estranho demais, calmo demais, vai dar ruim" e daí começa tudo de novo. Um looping infinito.

 Nesse mês que fiquei off, eu tive um dos melhores aniversários da minha vida, minha amiga veio pra cá e foi tudo lindo, minha família se reuniu, fui pra primeira balada da minha vida, fui pra um show incrível com minha prima, dancei muito com Anitta, chorei com Jorge e Mateus, vi o Saulo em toda sua animação maravilhosa, beijei, curti, gritei, fiquei até cinco e meia da manhã no pique e descobri que minha alma é festeira, que minha alma é livre, que minha alma precisa de festas baladas saídas amores romances gritos berros risadas.
 Minha alma é romântica e ama estar apaixonada. Tanto é que eu já me apaixonei por um ruivo e já quebrei a cara antes sequer de conhecer ele. Já me apaixonei por crushs de ônibus inúmeras vezes que eu nunca mais vou ver na vida.
 Estar apaixonado é lindo. A gente sempre se fode no final mas aff as brabuleta no estômago que sentimos quando estamos caindo na paixão é tão lindo. Aquela expectativa toda, a ansiedade por uma mensagem, por uma resposta. Aquele nervoso só de imaginar o cheiro, o abraço, o beijo.
 Eu ia falar que "a gente vai quebrando a cara até achar alguém com quem dê certo", mas, na verdade, quando algo começa, a coisa dá certo até a hora que esgota. A gente considera que "deu certo" se ficar juntos pra sempre etc e tal mas a verdade é que as coisas dão certo até a hora que não dá mais. Mas isso não significa que não deu certo. Isso significa que acabou. Mas as lembranças ficam. As lembranças que no começo doem e machucam e apertam e ferem e sangram e quando começam a cicatrizar alguém vai lá e coloca de novo o dedo na ferida. Só que uma hora ela cicatriza, igual machucado que dá casquinha e você fica arrancando ela até quando que quando você menos esperar,  puf, cicatrizou. E aí as lembranças vão ser mais como brisa fresca na beira do mar no fim da tarde. Aquele toque suave e gostoso como o beijo do sol se pondo, em toda sua gloriosa golden hour.
 Eu, claro, ainda tô na parte do "quando começa a cicatrizar alguém vai lá e coloca de novo o dedo na ferida". Com relação à tudo, à todas as áreas da minha vida.
 Eu vi um abismo um dia desses e pensei "ah, por que não me jogar e ver no que vai dar". Eu tô em plena queda, caindo sem pára-quedas, sem segurança. Tô no meio daquela agonia de querer saber o que vai acontecer depois, no final.

 Até eu descobrir que, talvez, o final nunca exista. Que eu vou cair sempre, sem cessar, em diferentes abismos, diferentes áreas, diferentes medos, diferentes expectativas.

 Não que vocês se importem, mas eu sou só sensações. Estou num momento meu para mim, descobrindo-me cada dia que passa, me assustando muitas vezes e me surpreendendo positivamente tantas outras.
 Não que vocês se importem, mas eu vou olhar pra trás um dia e dizer: foi o melhor que poderia ter acontecido. Vou olhar pra trás e dizer isso com um sorriso sereno no rosto.

 Serena. Em paz.

 Minha paz.

3 comentários:

  1. Curioso você começar com "não que vocês se importem" porque, sabe, eu me importo. Eu sou o tipo de leitora que aparece e não comenta nunca (e quando comenta é como anônima), mas eu me apego, e me importo de verdade. E você ficou sem aparecer e eu fiquei preocupada. Olha, eu sei mais ou menos como você se sente, e eu realmente estou torcendo pra que tudo melhore logo. Fica bem, ok?

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    1. Oh, que surpresa esse comentário delícia gente, não esperava! Obrigada amorzinho, prometo tentar não sumir assim de novo!
      Vou ficar bem, uma hora eu fico. Muito obrigada <3

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  2. Eu adoro o jeito que você escreve, é muito gostoso de ler e envolve a gente, sabe? Eu não sou muito festeira, já te falei sobre isso, mas admiro essa alma livre. Eu prefiro a calmaria, sempre. Não gosto de gritos, música alta, pessoas grudadas hahah mas deve ser muito bom se ver feliz assim.
    "E aí as lembranças vão ser mais como brisa fresca na beira do mar no fim da tarde" meu trecho favorito. ♥

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