segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O dia em que eu resolvi voltar pro ballet



 Eu tô pra fazer esse post desde o dia 10 de agosto, quando eu realizei um sonho antigo do meu coração.

 Oi pessoal, tudo bem com vocês? 

 Vim pra compartilhar essa história com vocês e pra mostrar que nunca é tarde pra se fzer o que gosta e pra animar muitas de vocês que eu sei que sempre quiseram isso mas por ene motivos desistiram. 

Me achem


 Quando eu tinha três ou quatro anos (na foto eu tinha quatro) eu frequentei uma creche pequena, mas muito boa, que tinha entre as aulas o ballet.
 Dessa época eu lembro quase nada, um exercício na barra e olhe lá, mas só. Eu nem lembrava que já tinha feito ballet antes dos sete anos, redescobri isso não tem nem três horas, olhando os álbuns caçando as fotos de quando eu fazia ballet com sete anos. 


 Eu fiz esse período de mais ou menos um ano e, depois, não sei porque, saí. Deve ser porque saí da creche. Essas fotos são da apresentação pro dia dos pais.
 Quando eu saí da creche, eu entrei no Proudhon, uma escola aqui do bairro que apesar de ser de bairro era muito boa e tinha de tudo, aulas extracurriculares como natação, karatê, dança, coral, ballet (fiz todos esses), entre outros. Eu amava lá. Ainda amo e morro de saudades. 
 Quando começou o ballet, muitas meninas entraram, todas animadas. Inclusive eu, junto com minhas amigas. Eu devia ter uns sete anos.


 Dessa época eu lembro melhor, mas lembro mais dos exercícios de alongamento, porque eram os que mais doíam. Lembro que eu tentava encostar o rosto no joelho, e todas aquelas coisas que doem.
 Eu devo ter feito um ano e, no final do ano, fizemos uma apresentação. Essa, da foto acima. Eu sou a terceira da fila. Eu lembro que a apresentação tinha que ter essa varinha de condão com uma estrela na ponta e a minha foi a mamãe que fez. Dentro tinha purpurina e a minha ficava vazando em qualquer mexida que eu dava. Eu fiquei chateada porque a minha era a única que fazia isso, mas hoje recordando, só vejo amor.


 Acho que eu já era meio desengonçada desde aquela época, olhando agora eu tenho a impressão que minha pose está errada (sou a do meio). 

 Enfim.

Uma apresentação do coral e de ballet no mesmo dia. Eu dancei sozinha a primeira música e depois fui cantar <3

 Antes desse ano fazendo ballet acabar, minhas amigas saíram. Elas cansaram, não queriam mais. Era muito difícil. Muito doloroso. E até muito chato, pra um monte de menina de oito anos bagunceira. 
Eu não lembro se eu gostava, lembro que eu quis sair também. Não queria fazer sem as minhas amigas, poxa vida. Eu só tinha sete anos.
 Claro que minha mãe não deixou eu sair na hora que eu quis. Oras bolas Mariana, não tem nem um ano, eu comprei todo o uniforme pra você, gastei horrores. Espera o ano acabar e aí se você ainda quiser você sai.

 O ano acabou.

 Eu saí.

 Depois disso, eu cresci. A gente cresce, né? Cresce querendo mas cresce sem ver. Eu cresci e começava a ficar emocionada quando via apresentações de ballet.
 Eu ignorava, claro. Que bobeira, ficar emocionada com uma simples pirueta. 
 Sempre estava ali. Eu sempre senti alguma coisa me chamando, mas não conseguia entender o que, não conseguia dar forma àquele sentimento.
 Lembro de um momento que me marcou muito. Foi no fim do ano passado. Eu já tinha pensado em voltar pro ballet, descobri esses dias olhando uma agenda de 2012 que eu queria desde aquela época voltar, mas minha mãe perguntou: "Você vai ficar? Ou vai comprar o uniforme completo e sair depois?" e eu não sabia o que ia ser, então preferi guardar essa vontade dentro do meu coração.
Mas enfim, eu tava com o Luan no shopping para um comprar o presente de Natal do outro e, logo na entrada do shopping (é hall?) tinha uma apresentação pequena, com, se não me engano, duas bailarinas e um bailarino. E meu olho encheu d'água. A apresentação era simplíssima, mas eu senti, eu senti que aquilo me chamava. Eu queria aquilo pra mim. E ali eu decidi.

 Passou dezembro, virou o ano, passou janeiro, fevereiro, março, abril e maio. Em junho eu liguei e perguntei o valor da mensalidade, era R$ 110,00. Já me senti mal por isso, porque eu não sabia se ia ter dinheiro pra pagar, e descobri que a matrícula era R$ 70,00 e o uniforme, R$ 150,00. Eu teria que, pelo menos, pagar a mensalidade e a matrícula no primeiro mês. Eu senti medo. Medo de não dar conta, já que era eu que ia pagar a mensalidade, a matrícula e o uniforme. Eu fiquei um tempo pensando e perguntando pra mamãe, Luan e amigos o que eu deveria fazer. Em julho comecei a juntar o dinheiro.
 Claro, óbvio e com certeza que pensamentos como "Eu já sou velha", "Eu não tenho porte de bailarina. Sou gorda, tenho a panturrilha grossa, as costas largas, os braços pelancudos. Não vai dar certo.".
 Graças à Deus eu tenho um namorado maravilhoso que me apoiou em todos os momentos e sempre puxava minha orelha quando eu falava essas coisas. 

 Marquei o dia de ir na aula experimental.
 Chegou o dia.
 Eu mal consegui me concentrar na faculdade.
 Eu pensava "Eles vão rir de mim", "O que eu vou fazer se eles rirem de mim?".

 Eu fui. Dei a cara a tapa. Preparei meu rosto pras bofetadas. 
 Eles levantaram a mão com força...

... e fizeram carinho no meu rosto.

 Me acolheram, me fizeram sentir uma deles, me entenderam e não, eles não riram de mim. "Ninguém aqui sabe nada, tá todo mundo aprendendo". 
 Nunca me senti tão acolhida e enturmada em tão pouco tempo. Nunca. Nem na escola, muito menos naquele lugar onde o veneno escorre chamado faculdade. São lugares difíceis de você se enturmar de verdade, de ver transparência no olhar das pessoas. 
 Com o pessoal do ballet, não. Eles foram claros e demonstraram carinho e afeto. Um muito obrigado à vocês pessoal, se estiverem lendo isso.

 A sensação de voltar pro ballet é incrível. Me sinto realizada. 
 Me sinto triste também porque tem um espelho de fora a fora do outro lado da sala onde eu vejo todas as gorduras e coisas fora do lugar mas ei, que que é aquilo ali? Olha, eu fico bonita quando endireito a coluna! Dá até pra fingir que não tem barriguinha! 
 E olha, eu não sou tão velha assim! Eu tô a cada dia melhor no alongamento, e tem uma moça aqui que já tem filhos e ela também começou agora e ela também já melhorou muito! 

 Se eu tô conseguindo, mesmo a passos de lesma, por que raios você desistiu do seu sonho? Eu sei que você sempre quis e desistiu porque te disseram que estava velha, mas, como eu disse lá no começo do post, nunca é tarde pra começar. Vem, se junte a mim, a gente pode ser bailarina!!!

Felicidade pós compra do uniforme, na semana retrasada <3

 Pensando em lançar a hashtag de autoajuda #eupossoserbailarina, que cês acham?

 E aí, qual sua desculpa?



(P.S.: Se alguém tiver alguma dúvida sobre o ballet pra nós velhas e acima do peso, pessoal ou não-pessoal, pode deixar aqui nos comentários que vai ter um post só respondendo perguntas)

8 comentários:

  1. Nem preciso dizer que eu, como bailarina e amiga, tô sentindo orgulho aos montes por você, né?! Chega escorreu do meu coraçãozinho!

    Continue, Mari. Pois além de poder, você quer.. E a força de vontade e dedicação são tudo que realmente importa!

    http://preenchendo-lacunas.blogspot.com.br/

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    1. Ah meu amor, esqueci de creditar você. Você me ajudou tanto, me incentivou tanto, me animou, falou que eu conseguia, que eu era capaz, que nada poderia me parar se eu quisesse. Você me deu o empurrão final. Tenho muito orgulho de dizer que tenho uma amiga que não para o corpo pra descansar e quero ser um dia como você. Obrigada, Dani <3

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  2. Sempre tive vontade de fazer e há alguns anos desisti pela idade e pelo porte físico.
    Mas uma amiga daqui de Goiânia começou com a mesma idade que eu e me motivou.
    Tô pensando seriamente em começar. ♥
    Beijos com açúcar.
    www.normalidadeincomum.com.br

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  3. Olá, moça!
    Eu tô há anos pra comentar nesse post, mas tô com tanta coisa na cabeça( meus planos, que comentei naquele dia, deram errado :~~) e queria vir aqui mais relax pra comentar suahsau ( sim sou dessas) pq te pedi tanto esse post que comentar qualquer coisas não dá, hahah
    Primeiramente queria dizer que admiro pra caramba o teu trabalho. Já comentei antes, mas entrar aqui me dá uma sensação boa( juro) e você é uma pessoa que passa uma energia positiva muito boa, mesmo pela internet!
    E isso de você deixar pra trás os que os outros pensam e correr atrás dos teus sonhos é a coisa mais linda do mundo. Fiquei bem emocionada com esse post, tanto que desde que você postou, eu reli algumas vezes quanto estava pensando em algumas coisas que aconteceram comigo. Você passou a lição de nunca desistir e não ligar para que os outros pensam, que eu percebi, com a sua ajuda e de outras pessoas, que são itens essenciais pra a gente conseguir alcançar os nossos sonhos.
    E eu me identifiquei pra caramba na parte do "Sempre estava ali. Eu sempre senti alguma coisa me chamando, mas não conseguia entender o que, não conseguia dar forma àquele sentimento."Já tive essa sensação várias vezes...E imagino como deve ser sido a sensação e você se olhar no espelho e ver a Mari pequena e ao mesmo tempo a Mari grande, haha :')
    Enfim, sucesso com o blog e saiba que tô me inspirando em você pra conseguir superar algumas coisas! Espero conseguir aí corro pra te falar! Muito obrigada!
    Tudooo de melhor!
    Camila Valério

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    1. Camis, eu estou sem palavras. Sério, não tenho como te responder sem escrever um post te amando. Você sempre tá aqui, sempre comentando, sempre apoiando em tudo. Me apoiou com o ballet, me falou que eu consigo. Você é maravilhosa, a única leitora (sem ser parente ou algo do tipo) que eu sei que tá aqui e é fiel. Saber que te inspiro me faz tentar ser uma pessoa melhor. Obrigada, obrigada, obrigada meu amor <3

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  4. Acho que sou a única menina que nunca fez e nem nunca se interessou por balé, hehehe
    Acho também que nunca é tarde pra se fazer o que gosta! É fechar os ouvidos pros comentários alheios e se jogar, menina!

    Beijos, Champagne Supernova

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    1. Não é não, conheço várias meninas que não gostam também kkk
      Obrigada ^-^

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