domingo, 25 de maio de 2014

Falando de abuso sexual: Abusada pelo padastro

Foto via Google

 Fiquei um bom tempo pensando no título. Não acho que ficou muito bom, mas né.
 Oi pessoal, tudo bom com vocês?
 O post de hoje é um post delicado, porque envolve coisa séria, sentimento de outra pessoa.
Conversei com a Gabriela (nome fictício claro), que é uma menina que sofre as consequências até hoje de um abuso que ela sofreu quando tinha 12 anos.

 "Minha mãe se separou do meu pai e casou novamente com meu padastro. Ele era um verdadeiro pai pra mim, muito divertido e atencioso.
Antes disso eu já sofria maus tratos por parte da minha mãe e ele sempre me defendia. Passaram anos e um dia eu, ele e meu irmãozinho estávamos brincado na cama da minha mãe enquanto ela trabalhava quando meu irmão pediu pra dormir.
Nós deitamos na cama e tentamos dormir. Ele achava que eu já estava dormindo quando começou a me tocar. Eu abri os olhos, afastei e me virei. Depois de um tempo, ele devia achar novamente que eu dormia, porque me beijou. Foi o meu choque. Ele ficava me prensando contra ele e eu consegui fingir que estava acordando. Como consegui fingir juro que não sei. Ele parou, eu disse que estava com fome e ele foi pra cozinha.
Peguei o telefone e liguei pra minha mãe, disse pra ela vir pra casa rápido. Me tranquei no quarto, troquei de roupa e empurrei móveis pra porta e, quando ela chegou, contei tudo. Ela me mandou pra casa do meu pai.
Um mês depois meu pai, com medo de omissão, denunciou. Fiz um B.O na delegacia e me encaminharam pro IML. 
Assim que a médica me analisou, falou, de modo grosseiro, "foi mexida". Eu comecei a chorar. O laudo deu que eu havia sido estuprada "por trás". Ela disse que provavelmente fui dopada. 
Depois fui encaminhada para o IMIP, onde fui analisada novamente e deu o mesmo resultado. É vergonhoso, traumatizante e desconfortável. Minha mãe depôs contra mim. Tirou xerox de meus diários onde dizia que eu tinha ciúmes dele quando eu tinha uns 7 anos e usou isso como se fosse uma prova. Com doze anos eu já não sentia isso, era uma prova idiota. 
Ela falou que eu era paranoica e louca, que precisava de tratamento. Eu parei de falar com ela. 
Meu pai tomou minha guarda e fiz tratamento psicológico com oito psicólogas e dois psiquiatras para me curar da depressão. Fiz horrores. Me cortei, tentei suicídio e tudo que imaginar. 
É uma experiência que te deixa fria depois de um tempo. Você cria barreiras e não chora nem se alguém morrer, nem se você quiser. Se sente exposta. Não gosta do toque de ninguém. Nem abraços. Comigo foi assim. Eu tinha pesadelos, acordava chorando ou gritando.
Não importa psicóloga ou remédios, porque é o tipo de coisa que você nunca esquece. Nunca. Até hoje sinto o cheiro dele. Dá ânsia de vômito. O tempo ajuda a amenizar mas vai estar sempre lá, guardado."

Quando perguntei pra ela o que ela diria para as meninas que sofrem ou sofreram abuso sexual, ela me disse:

"Omissão de uma coisa importante como esta faz de você submisso de seus segredos. Lutem por seus direitos, denunciem, não abaixem a cabeça, não importa qual seja o grau de parentesco do agressor. 
Se ele fez isso uma vez fará novamente. Você não é um brinquedo. Você é uma pessoa. Ele pode já ter feito isso com outras pessoas, então se não for lutar por você, que seja por elas."

Eu sinceramente não sei o que dizer. Não sei o que é passar por isso. Eu imagino a dor de vocês, o sofrimento, e sei que não chega nem perto do sentimento de verdade.
Eu tenho nojo dessas pessoas. Nojo de alguém que consiga fazer isso com outra pessoa. É repugnante. Acho que o que essas pessoas merecem é passar a vida toda na cadeia em cela compartilhada, porque sei que os presos não perdoam.
O que vocês têm a dizer sobre o post de hoje? A Gabi é uma pessoa muito forte, admiro muito a força dela em conseguir lidar com tudo isso. Eu não sei o que seria de mim hoje se, Deus me livre, tivesse, um dia, passado por isso.
E sabe o que mais dói? Isso é mais comum do que a gente pensa. Provavelmente metade das pessoas que você conhece já sofreu algum tipo de abuso sexual, mas elas não tem coragem de falar. Isso é aterrorizante.

5 comentários:

  1. Caramba :O Não consigo nem imaginar o que essa garota passou e sentiu. Principalmente pela própria mãe, uma pessoa que deveria ajuda-la e protege-la, acabou depondo contra ela. Dá até um aperto no coração ):

    http://espumas-flutuantes.blogspot.com.br/

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    1. Sim, fiquei muito revoltada com a atitude da mãe, principalmente quando soube que ela continua com o cara até hoje. É repugnante.

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    2. Credo, gente. Não desejo uma situação assim nem para minha pior inimiga. Dá uma angústia enorme saber que muitas, muitas garotas mesmo sofrem com isso :/

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  2. É chocante imaginar que crianças puras, inocentes, indefesas passem por situações deste tido, mas é a mais pura realidade em nosso mundo. A maioria acontece dentro de casa e por isso fica camuflada, pois a familia tem receio de se expor, ficando impune quem comete e traumas profundos nas vítimas. Tem que denunciar sim, pois isso tem que acabar. Onde fica o RESPEITO que todo cidadão tem o direito de ter?????

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